- Atualizada em 16/10/2017 09:58

Vereadores visitam municipários no Dmae

Servidores pediram a saída do prefeito e a retirada dos projetos do Executivo que afetam o funcionalismo

  • Reuinião de Comissão Especial sobre direitos e vantagens dos servidores.
    Comissão especial da Câmara ouviu as reivindicações dos funcionários(Foto: Henrique Ferreira Bregão/CMPA)
  • Reuinião de Comissão Especial sobre direitos e vantagens dos servidores.
    Presença maciça no encontro, realizado na Gerência Distrital do Dmae (Foto: Henrique Ferreira Bregão/CMPA)

A Comissão Especial sobre Direitos e Vantagens dos Servidores, da Câmara Municipal de Porto Alegre, reuniu-se na tarde desta terça-feira (10/10) na Gerência Distrital do Departamento de Água e Esgoto (Dmae) para tratar sobre projetos enviados pelo Executivo ao Legislativo da Capital que afetam os municipários. A visita foi proposta pelo vereador Dr. Thiago (DEM), presidente da comissão.

Os municipários, que deflagraram greve por tempo indeterminado, solicitam a retirada dos projetos que alteram a relação da administração pública com os servidores. Edson Zomar de Oliveira, representante dos funcionários do Dmae, falou em nome da Comissão de Negociação do órgão público. “Aceitar os projetos significa perda de direitos. Temos que manter a firmeza do movimento. Não à privatização do Dmae”, argumentou. A ameaça de privatização foi uma das preocupações mais manifestadas pelos demais servidores do local, que pediam a saída do prefeito Nelson Marchezan Júnior do cargo. Outro ponto discutido na reunião foi a importância de investimentos e de valorização do serviço público da Capital.

O movimento dos servidores do Dmae conta também com a colaboração de representantes de outras entidades públicas. Contrário às medidas do governo municipal, César Schütz, do Sindicato dos Arquitetos do Rio Grande do Sul, disse que o Executivo ataca os trabalhadores com o desmanche da carreira pública e dá abertura à terceirização de serviços. “Vivemos hoje o caos”, lamentou, assim como representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), que reafirmaram a necessidade de reconhecimento e garantia de direitos dos funcionalismo. 

Parlamentares

Com o objetivo de dialogar com os funcionários públicos, os vereadores e vereadoras da comissão especial prestaram apoio à retirada dos projetos e parabenizaram a mobilização popular dos trabalhadores. Conforme Dr. Thiago (DEM), todos têm protagonismo neste processo em defesa do serviço público. O vereador propôs que seja votado em plenário o Pedido de Indicação para que os projetos do Executivo que afetam os servidores sejam retirados, assim como a possibilidade de privatização do Dmae. Ele ainda destacou a ampla participação de municipários nas reuniões  realizadas até agora, apontando mais de mil servidores. 

“O que está acontecendo é muito grave”, afirmou Mauro Zacher (PDT). Para ele, os projetos são fora de contexto e sem legitimidade. Ao criticar o governo Marchezan, o vereador considerou a gestão atual sem representatividade, responsável por uma crise jamais vista na história da cidade. “É tão dramático, que o governo sequer consegue construir uma base”, frisou. De acordo com Zacher, a água é um patrimônio que está sendo desmanchado pelo prefeito. “Se o Dmae não ultrapassou o nível de excelência do serviço, esteve muito próximo.”

Sofia Cavedon (PT) também defendeu o trabalho do Dmae. Conforme a vereadora, o setor mantém altos níveis de rendimento para a cidade e presta um serviço competente no fornecimento de água. “A missão desse projeto do Executivo é entregar fatias do serviço público para a iniciativa privada”, criticou.  

Para Fernanda Melchionna (PSOL), os projetos em tramitação têm como eixo o desmonte do serviço público e a privatização, o que piora ainda mais a crise econômica para os trabalhadores. Ao classificar o governo municipal como recessivo e autoritário, a vereadora afirmou que os ataques são destinados a uma categoria que tem história de luta.

Já Airto Ferronato (PSB), relator da comissão especial, ressaltou a importância das atividades prestadas por servidores públicos e defendeu a classe de trabalhadores. “Nós faremos nosso relatório, que se manifesta contrário aos projetos”, garantiu. De acordo com os parlamentares, o documento já conta com 24 assinaturas.  O vereador Marcelo Sgarbossa (PT) também participou da reunião desta terça-feira.

Texto: Munique Freitas (estagiária de Jornalismo)
Edição: Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)