- Atualizada em 23/05/2017 09:21

Vereadores pedem diálogo ao secretário de Educação

Reunião entre parlamentares e secretário Adriano Brito debateu mudanças no ensino fundamental

Reunião com o Secretário Municipal de Educação.
Vereadores pediram mais diálogo com a Prefeitura(Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA)

Em reunião com o secretário municipal de Educação, Adriano Naves Brito, coordenada pelo presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Cassio Trogildo (PTB), os vereadores debateram, nesta quinta-feira (18/5) pela manhã, as mudanças implantadas no ensino fundamental do Município a partir do decreto municipal publicado em fevereiro pelo Executivo.

Líder do governo na Câmara, o vereador Cláudio Janta (SD) considerou “ideológica” a controvérsia surgida em razão das mudanças. “Ninguém persegue servidores. O governo quer que o aluno fique mais tempo na escola. Agora é o momento de fazer adequações.” Ele afirmou que a reclamação principal dos professores seria relativa à perda de um dia de folga. “Em nenhum outro lugar o professor tem direito a um dia e meio para preparar aulas.”

Dr. Thiago Duarte (DEM) fez um apelo ao secretário para que, passado o momento de implantação da proposta, ele se disponha a trabalhar juntamente com a comunidade. “Os diretores de escola são prepostos da Smed, não são representantes sindicais. As três diretrizes priorizadas pelo governo estão contempladas na contraproposta feita à Smed. Não podemos demonizar a compensação de horas trabalhadas.” Thiago também alertou para possíveis problemas que possam ocorrer com crianças menores no horário de refeição, se não houver acompanhamento de professores. “A hora da refeição é um momento pedagógico.”

Grupo

Sofia Cavedon (PT) relatou que diretores de escolas e pais de alunos estiveram, na semana passada, conversando com os vereadores sobre a contraproposta apresentada à Smed, a partir de discussão com a comunidade escolar. Segundo ela, o grupo ressaltou que o centro do debate é o aluno e não se trata de uma luta corporativa. Manifestaram preocupação com o fato das crianças ficarem 30 minutos, diariamente, sem acompanhamento de professores. Para ela, a contraproposta feita ao governo “dá conta da demanda sobre a carga horária da quinta-feira”, pois os alunos não sairiam mais antes do final do turno. “É difícil compreender a rejeição à contraproposta.”

Para André Carús (PMDB), a Smed se mostra inflexível. “A contraproposta dos pais e diretores é de 890 horas/aula por ano e 270 minutos de aula por dia, contra 800 horas/aula e 240 minutos diários aplicados pela Smed. Fica difícil entender por que não foi aceita.”

Já o vereador Professor Alex Fraga (PSOL) relatou encontro recente no Ministério Público para tratar do assunto, durante o qual a procuradora manifestou preocupação com o cuidado que as crianças devem receber principalmente nas trocas de turnos. “A Smed foi procurada por um grupo de diretores e todas as propostas foram rejeitadas. Não há disposição ao diálogo por parte do governo. Não considero que a contraproposta seja inferior ao projeto da Smed.” O vereador também reclamou da mudança do horário de início das aulas para os alunos da Educação de Jovens Adultos (EJA), que foi antecipado das 19h para as 18h30min, prejudicando os alunos que trabalham.

Inimigos

Para Fernanda Melchionna (PSOL), o governo municipal trata os servidores como inimigos. “O Executivo acha que vai governar derrotando os seus servidores. Não vejo disposição real de diálogo.”

O vereador Moisés Maluco do Bem (PSDB) saudou a decisão do governo em não deixar a implantação das mudanças para 2018. “Os indicadores do ensino fundamental no Município eram ruins. A proposta visa que alunos tenham aulas todos os dias. Tenho certeza que, no ano que vem, esses indicadores serão melhores que os do ano passado.” Para ele, o movimento articulado por um grupo de pais e diretores de escolas é partidarizado e impede que as crianças tenham aulas.

Também participaram da reunião os vereadores João Carlos Nedel (PP), Roberto Robaina (PSOL), Airto Ferronato (PSB), Valter Nagelstein (PMDB), Cassiá Carpes (PP), Luciano Marcantônio (PTB), Mauro Pinheiro (Rede) e Alvoni Medina (PRB).

Texto: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)